“É uma ironia sair da RTP quando há PSD, Orçamento e presidenciais”

Comentador queria continuar, mas o futuro à RTP pertence. Entretanto a TVI já o namora

Marcelo Rebelo de Sousa termina a contragosto o espaço de comentário semanal na RTP “As Escolhas de Marcelo”. “Não saí pelo meu pé. Tenho pena de sair”, diz ao i professor universitário.

Mas apesar de se mostrar disponível para continuar na estação pública – “se tivesse de optar continuaria na RTP” – o professor não vai fechar portas: “Vou esperar pelos convites e escolher entre as hipóteses a que for mais adequada”. Até porque, continua, não vai “demorar muito tempo a voltar ao comentário político”. E do lado da TVI, é sabido, há uma porta aberta.

“Toda a gente sabe que gostaria de o ter cá”, afirma ao i Júlio Magalhães, director de informação da TVI, justificando a preferência com o perfil do professor: “É um personagem apelativo para as televisões”. Desejos à parte, o responsável do canal de Queluz ainda não pensou desafiar Marcelo Rebelo de Sousa a regressar à TVI, de onde saiu em 2004 por alegadas pressões da administração do canal e do governo de Santana Lopes: “Não ponderei convidá-lo até porque não sei como vai correr a vida dele”, diz Magalhães.

O contrato de Marcelo com a RTP termina a 1 de Março e a estação decidiu não prosseguir com o programa. Segundo o canal público, o fim do programa não é sinónimo da saída do comentador, como confirmou ao i o gabinete de comunicação da RTP – ao contrário do que ontem foi noticiado.

Para já, os planos de Marcelo passam por cumprir os programas que faltam e só depois pensar no futuro. “Agora tenho sete programas até 28 de Fevereiro e depois verei. Até lá não aceito nenhuma conversa”, avança.

Quanto à estação, as ideias são de mudança. A RTP só avança que está a “pensar num modelo novo” de comentário que seja “plural ao nível do pensamento político”.

António Vitorino de saída
Cinco anos e um dia depois de se ter estreado na televisão pública, Marcelo Rebelo de Sousa despede-se da jornalista Maria Flor Pedroso e filma o último programa de domingo à noite. É uma despedida forçada pela vontade de António Vitorino de deixar o programa de comentário semanal “Notas Soltas”. “Saio porque o dr. Vitorino há um ano que quer terminar a colaboração com a RTP”, justifica. Marcelo sublinha, no entanto, que o fim do seu espaço podia ser evitado se a RTP convidasse outro comentador para preencher o espaço semanal deixado vago pelo socialista. Mas isso não aconteceu. “A RTP decidiu não o substituir porque achou que isso não era possível dado o prestígio e o mérito de dr. Vitorino”, afirma Marcelo.

Ao i, o antigo comissário europeu confirma a intenção de abandonar a RTP: “Estava cada vez mais difícil conciliar a minha vida pessoal e profissional com o programa”.

Os dois programas, de Marcelo e Vitorino, chegam assim ao fim. Em causa está a questão da pluralidade política a que a estação, por ser pública, terá de respeitar. Para cumprir este princípio, e sem substituo à esquerda, a RTP parece ter sido forçada a terminar com o programa de Marcelo para equilibrar a balança dos pesos políticos – Marcelo é militante do PSD; António Vitorino do PS – e assim evitar nova reprimenda da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) por não ter “uma representação plural do campo político-partidário”, tal como a ERC deliberou em 2008.

Para já, a entidade reguladora não faz declarações. “A ERC pronuncia-se sobre factos concretos e não sobre hipóteses”, responde ao i Estrela Serrano, do conselho regulador da ERC, que se distancia da questão: “A ERC é alheia às decisões editoriais da RTP”.

A ironia do Timing

O fim do programa – 28 de Fevereiro – coincide com um momento em que a discussão do sucessor de Ferreira Leite promete aquecer: o PSD só vai decidir a liderança depois do debate do Orçamento do Estado (OE), que será entregue na Assembleia da República na terceira semana de Janeiro.

A despeito da vontade de uma parte do PSD, que lhe pede para que volte à liderança do partido, Marcelo Rebelo de Sousa descarta a possibilidade de que o fim do programa seja lido como um sinal verde da candidatura. Aliás, nota que, exactamente por isso, faz mais sentido manter o seu espaço de comentário: “Não deixa de ser uma ironia sair quando vai haver mais matéria para comentar, como a votação do OE, as eleições presidenciais e a discussão da liderança do PSD “diz o professor.

As audiências confirmam-no. No final do ano marcado pelo caso das escutas em Belém, por três eleições e por um “pondero ponderar”, o share de “As Escolhas de Marcelo” disparou nos últimos meses de 2009. Com Adriano Nobre

in: http://www.ionline.pt/

Posição da JSD Nacional sobre Casamento entre Pessoas do mesmo Sexo

Considerando que no próximo dia 8 de Janeiro de 2010 será discutida e votada na Assembleia da República diversos Projectos de lei relativamente ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, a JSD – Juventude Social Democrata torna pública a seguinte posição:

O Partido Socialista e toda a Esquerda preparam-se para fazer um autêntico “roubo da Democracia” dos cidadãos Portugueses.

Após a entrega na Assembleia da República de uma petição popular para referendo do casamento entre pessoas do mesmo sexo com mais de 90.000 assinaturas a JSD não pode aceitar que os Partidos da Esquerda pretendam recusar aos cidadãos portugueses essa vontade e direito legítimo a participar na política e vida democrática portuguesa.

Perante tão extraordinária mobilização popular e apelo dos cidadãos portugueses para que lhes seja dada a possibilidade de se pronunciarem directamente sobre este o casamento entre pessoas do mesmo sexo, é inaceitável que o Partido Socialista não queira afinal deixar os cidadãos portugueses participarem democraticamente e se pronunciarem através da figura do referendo que a Constituição portuguesa consagra.

Não está em causa a falta de legitimidade formal do Parlamento para decidir nesta matéria; e, a JSD defende o referendo não como forma de alcançar uma rejeição do casamento entre pessoas do mesmo sexo – vários militantes e dirigentes da JSD votariam favoravelmente ao casamento no referendo. O que está em causa é que o Partido Socialista, quando não lhe convém, recusa aos cidadãos a possibilidade de participarem na Política.

Como poderíamos depois disto pedir aos portugueses para se envolverem e participarem mais na vida política?

Em nome de uma democracia mais participada, considerando este extraordinário pedido de mais de 90.000 portugueses, e ainda atendendo que já vem sendo tradição que questões sócio-ideológicas “fracturantes” sejam amplamente discutidas por referendo (ex. o aborto), a JSD considera que o Parlamento deve aprovar o pedido popular de realização de referendo sobre a questão da admissibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Por isso mesmo, a JSD considera que o Parlamento não deverá votar favoravelmente a qualquer dos projectos legislativos que consagra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A JSD é sensível e reconhece a importância de eliminar as discriminações que sofrem hoje os casais homossexuais.

Em primeiro lugar, a JSD não pode deixar de afirmar que se essas discriminações são um problema importante na sociedade portuguesa, não são contudo o problema de tratamento prioritário num momento em que a sociedade portuguesa enfrenta uma gravíssima crise económica, financeira e sobretudo social, em que o desemprego atinge valores históricos, e em que se pede aos políticos, aos partidos e aos órgãos de soberania que se foquem na resolução desses problemas prioritários.

Em segundo lugar, a JSD manifesta o seu apoio e concordância política com o projecto de lei do PSD que prevê a consagração da União Civil Registada entre pessoas do mesmo sexo. Esta solução proposta pelo PSD coincide aliás com a posição oficial da JSD que fora aprovada no seu último Congresso Nacional de Novembro de 2008, e que permite corrigir as discriminações injustificadas que hoje afectam os casais homossexuais.

Em terceiro lugar, a JSD reafirma o seu desacordo com a aprovação de qualquer solução legislativa que permita ou abra a porta à adopção por casais homossexuais, não só por se tratar de matéria que envolve um terceiro menor com interesse autónomo (enquanto que no casamento e união civil está em causa a relação bilateral entre duas pessoas maiores), como por se tratar de matéria que não foi objecto de mínima discussão pública na sociedade portuguesa.

Finalmente, considerando que este debate envolve a definição o modelo de sociedade humana e a ideia e papel da família, a JSD reafirma a necessidade de o poder político aprovar e executar medidas que promovam a família como pilar essencial da sociedade, assegurem a sua estabilidade e centralidade social, facilitem as condições para os jovens constituírem e alargarem as suas famílias, e incentivem a natalidade. O combate pela promoção da família está ainda por fazer em Portugal.

Lisboa, 7 de Janeiro de 2009

A Comissão Política Nacional da JSD

90.000 portugueses pediram o referendo!

O Partido Socialista diz não à consulta popular sobre esta matéria, refugiando-se no facto de o tema estar inserido no programa eleitoral socialista. Desta feita, deu ordens à bancada parlamentar para se efectuar a disciplina de voto neste tema que pelos vistos ainda é polémico.

Já por diversas vezes  se ouviu os Socialistas falarem da necessidade de aumentar a participação dos cidadãos, mas quando 90.000 destes se reúnem em torno de uma causa é lhes fechada a porta na participação sobre o tema e refugia-se na legitimidade da Assembleia da Republica.

É assim que se quer incentivar a sua participação?

Incomoda-me que nem mesmo quando a Assembleia da Republica se encontra sem maioria absoluta dê sinais de abertura aos portugueses. A titulo pessoal sou favorável ao casamento homossexual, no entanto considero que é de todo um desrespeito pelos 90.000 portugueses que se mobilizaram em torno desta causa o não aceitar o referendo, uma vez que  estes apenas solicitam que todos os nossos cidadãos possam ser parte activa nesta equação.

A esquerda portuguesa está a dar um mau contributo tanto à política de Portugal como à nossa Democracia. Afirmam ser favoráveis a formas orgânicas que dentro da regras de um estado de direito se mobilizam em torno de causas, contudo são os primeiros a demonstrar que os efeitos deste tipo de  esforço são reduzidos.